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3 razões para não investir todo o seu capital em ações [Parte II]

Investir em uma única classe de ativos (ações) é como fazer uma aposta de que ela terá melhor desempenho no longo prazo. Vimos na parte I desta série que nem sempre as ações apresentam bons retornos no longo prazo, o que faz muitos investidores abandonarem suas estratégias no meio de um grande crash do mercado, perdendo grande parte do seu suado dinheiro advindo de anos de trabalho.

Além deste fator, investir apenas em ações é abdicar ótimas oportunidades de investimentos fora do mercado de ações. Títulos Públicos, Debêntures, Fundos Imobiliários, Dólar, Euro, Ouro. Todos estes investimentos também passam por fases otimistas e pessimistas, argumento totalmente relacionado com o 2º motivo para não investir todo o seu capital em ações.

2º motivo

  • Investir apenas em ações é perder ótimas oportunidades em outros investimentos

Retornos Anuais

Acompanhe na tabela abaixo a rentabilidade anual de alguns investimentos selecionados.

Tabela histórica dos retornos e riscos de diversos investimentos desde janeiro de 1999 e observações importantes:

1. A volatilidade da Bolsa. Destaquei em cada ano o maior e o menor retorno. Percebam que somente em 2010 a Bolsa não figura entre os destaques positivos e negativos. Resumo: Haja volatilidade!

2. Relação Retorno x Risco. Desde 1999, a bolsa possui de fato o maior retorno, de 908,74% acumulado e 21,24% anual. Entretanto, também possui o maior risco anual, de 28,88%. Maior retorno, Maior Risco. Difícil fugir desta relação. Afinal, “there’s no free lunch”.

3. Metal Dourado rende mais que CDI. O 2º lugar, surpreendentemente, não é o CDI, mas o Ouro. Nesta última década o metal ganhou bastante destaque e pode-se até argumentar sobre um processo de bolha.

4. Risco CDI x Risco Bolsa. Notem o risco do investimento no CDI. Apenas 1,36% anual. Ou seja, ganhar 16% ao ano com um risco tão pequeno é bastante atrativo. Mesmo que o retorno seja menor do que a bolsa, o risco é mais de 20x menor.

5. A diversificação para reduzir risco. Acho que a lição mais importante desta tabela é: Não é possível adivinhar qual será o melhor ativo em 2010, 2011 e assim por diante. Cada ano temos novas surpresas. Pode ser o CDI, Dólar, Euro, Ouro ou Bolsa. Melhor do que apostar em apenas um ativo, podemos fazer mix entre estes visando melhorar nossa relação entre retorno e risco. Só um mix de CDI com Bolsa já poderia reduzir o risco da Bolsa pela metade, (em torno de 15%) baixando o retorno de 21,24% na Bolsa para 18,62% do mix (50% Bolsa e 50% CDI).

Portanto, será que não vale a pena deixar de ganhar em torno de 2,5% ao ano para ter uma maior tranquilidade, reduzindo o risco da Bolsa pela metade? Isso porquê não estamos considerando o verdadeiro poder da alocação de ativos, analisando as correlações e os rebalanceamentos.

Que tal relembrarmos alguns dos melhores momentos dos investimentos, excluindo o mercado de ações?

Melhores Momentos

Melhores Momentos de determinados Investimentos, cronologicamente:

1. 2000 (Dólar | Euro | Ouro) – A euforia da década de 90 e o frenesi em torno das ações de tecnologia estava chegando ao seu auge. Proteger-se desta bolha com Dólar, Euro e Ouro foi bastante sensato nos próximos 3 anos, instalada a instabilidade mundial. Ao investir nestas classes, os investidores conseguiriam dobrar seu capital após 3 anos (início de 2000 até o início de 2003), enquanto, ao investir na bolsa, o investidor perderia quase -35% de seu capital. Uma perda desta em 3 longos anos de investimento poderia facilmente afugentar iniciantes, cuja paciência e disciplina ainda não está bem trabalhada para suportar este tipo de evento.

2. 2003 (Títulos Públicos) – Você sabia que no início de 2003 era possível investir em LTNs com taxas superiores a 30% ao ano? Elevada rentabilidade com risco quase inexistente. O único porém seria o risco de calote do governo.

3. 2003-2006 (Fundos Imobiliários) – Lançamento de alguns dos Fundos Imobiliários mais rentáveis no Brasil. O Shopping Pátio Higienópolis (SHPH11), lançado em 2003 (segundo dados da Brazilian Mortages) teve sua cota multiplicada por 4x desde seu lançamento até hoje e garante hoje um rendimento mensal de 1,77% (distribuição mensal / valor da cota de lançamento). Outro fundo vencedor, o Hospital da Criança, lançado em 2005, garante hoje uma rentabilidade mensal apenas com os rendimentos de 2,10%. O valor da cota no lançamento, que era de R$ 100,00, hoje está em torno dos R$ 300,00, um ganho de 3x.

4. 2008 (Títulos Públicos, Dólar, Ouro, Fundos Imobiliários) – Neste ano, com a Bolsa beirando os 74.000 pontos, no seu topo histórico e com o Dólar perto de R$ 1,50 as oportunidades para hedgear os investimentos com ativos contra-cíclicos era ótima (muito fácil ao olhar em retrospectiva, porém, no momento os argumentos não eram tão claros…). Com a intensificação da crise, o Dólar disparou para R$ 2,50. O Ouro praticamente dobrou de valor algum tempo depois e muitas oportunidades apareceram.

Títulos Públicos (NTN-F) com taxa de 18% a.a para investimentos de 10 anos, títulos indexados ao IPCA com taxa de 11% a.a + IPCA (NTN-B Principal 2015). Rendimentos nominais e reais bem altos que poderiam ser aproveitados por investidores de longo prazo mais conservadores, buscando evitar um pouco o sobe e desce da bolsa.

Em 2008, o importante era ter liquidez em mãos. Como a maioria dos investidores tomou o caminho contrário, vendendo seus ativos de risco para pagar dívidas que não paravam de crescer ou porque ficaram assustados com o mercado, ótimas oportunidades apareceram para quem tinha liquidez em mãos. Aqui vale a máxima das crises: “Cash is King”. Com ativos de fácil conversão em dinheiro em mãos você pode escolher o que e quanto irá comprar, montando uma sólida base para uma carteira de longo prazo.

Conclusão

Ao diversificar seus investimentos você  evita se limitar apenas a uma classe de ativos (ações), podendo escolher uma grande gama de ativos, visando aproveitar diversas oporuntidades que não são encontradas somente no mercado de ações.

Através da alocação de ativos você pode reduzir seu risco sem reduzir muito seu retorno. A relação entre retorno x risco irá melhorar, consequentemente elevando a probabilidade de você se manter firme em sua estratégia de investimento de longo prazo, entre crise, saia crise.

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