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3 razões para não investir todo seu capital em ações [Parte III]

Vimos na parte II desta série que investir todo o seu capital em ações é perder ótimas oportunidades em outros investimentos, como garantir um retorno de 30% ao ano investindo em LTNs em 2003 ou garantir uma retorno de 18% a.a ao investir em NTN-F com vencimento em 10 anos, ambos investimentos com baixíssimo risco.

Nesta última parte da série iremos abordar o 3º motivo pelo qual não sou favorável a investir 100% em ações.

3º motivo

  • O rendimento das ações nem sempre será superior ao da Renda-Fixa no longo prazo.

Muitos investidores, ao investir todo o seu capital em ações, se baseiam na hipótese de que esta classe de ativos terá o maior retorno de longo prazo, não sendo a diversificação uma opção viável, já que só diminuiria o retorno esperado de seus investimentos.

Entretanto, embora de fato as ações tendem a ter um maior retorno esperado no longo prazo, existem momentos em que o investidor deveria olhar melhora a relação entre Renda Variável e Renda Fixa, visando analisar quais estão com melhores perspectivas para o médio / longo prazo.

Estudar esta relação é importante, principalmente em nosso país, em que as taxas de juros sempre foram consideradas altas demais. Temos uma das maiores taxas nominais e reais do mundo. Como de costume aqui no HC Investimentos, trago uma detalhada análise sobre esta relação. Acompanhe abaixo.

Equity Risk Premium no Brasil

Olhar o passado e ver o quanto as ações pagaram acima da renda-fixa é importante para nos trazer pistas sobre o quanto estamos dispostos a receber a mais no investimento em ações para abidicar da tranquilidade do investimento em Renda-Fixa. Tecnicamente falando, para correr maior risco investindo em ações, qual deve ser meu prêmio (retorno acima da Renda-Fixa) para compensar este maior risco?

Temos que, no mercado americano, o ERP (Equity Risk Premium) tem se situado perto dos 6% a.a. Ou seja, o mercado de ações dos EUA paga 6% a.a acima do rendimento da Renda-Fixa. A fonte dos dados pode ser encontrada no livro Asset Allocation, Balancing Financial Risk, nas páginas [54 – 56] , com dados desde 1926 até 2005.

  • Como calcular o Equity Risk Premium?

Simples. Basta calcular a rentabilidade anual histórica do mercado de ações e subtrair da rentabilidade anual (no mesmo período) da Renda-Fixa. No nosso caso, utilizamos a taxa Selic como referência.

E aqui no Brasil, vocês imaginam qual é esta relação entre o retorno das ações e da Selic desde julho de 1994, período pós plano-real?

Ao contrário do que muitos imaginam, o equity risk premium no Brasil é negativo, no valor de -1,55%. Ou seja, o mercado de ações, além de oferecer maior risco também ofereceu menor retorno. Logo, o investidor que, desde 1994, colocou sua poupança em investimentos atralados a Selic teria um rendimento bem mais favorável e com um risco bem menor.

A rentabilidade anual do Ibovespa desde julho de 1994 até setembro de 2010 foi de 19,93%. A rentabilidade baseada na taxa Selic, neste mesmo período, foi de 21,48%. Portanto, temos o ERP de -1,55%.

Entretanto, o valor do ERP, assim como todas as variáveis da economia (e por isso o nome variável), muda conforme o tempo. Analisando o retorno dos últimos 12 meses do Ibovespa em relação à taxa Selic, temos hoje um valor positivo de 4,99%. Porém, como é possível notar no gráfico, esse valor costuma flutuar entre +73,90% (percentil 95) e -54,78% (percentil 5). O que é um percentil?

Observações

1. Os juros na década de 90. Mesmo após o plano real, os juros no Brasil ainda eram muito altos, o que não incentivava o investimento em ações. Embora hoje os juros tenham caído em relação aos patamares passados e o mercado de capitais tenha se desenvolvido nos últimos 15 anos, ainda temos uma das maiores taxas de juros nominais e reais do mundo.

2. Juros EUA x Juros Brasil. É preciso muito cuidado ao se basear em um estudo do mercado americano e usá-lo aqui no Brasil. Veja que eles possuem hoje títulos de duração de 5 anos com taxas próximas de 1,15% [fonte]. Aqui, nossos títulos de curto prazo (LTNs), pagam taxas em torno de 12% [fonte]. Uma grande diferença não é mesmo?

3.  Comparando o Equity Rrisk Premium. Embora o nosso mercado de ações tenha um retorno esperado maior do que os EUA, é preciso avaliar o spread (diferença) entre o retorno esperado em ações e taxas na Renda-Fixa. Logo, vamos fazer um simples exercício, supondo alguns valores.

Nos EUA, temos a RF pagando 1,15% a.a e o mercado de ações oferecendo um retorno esperado de 9% (perto de média histórica de 8,89%) [fonte].

Aqui no Brasil temos RF pagando 12% a.a e o mercado de ações oferecendo um retorno esperado de 18% (o dobro do mercado americano, porém, um pouco abaixo da média histórica).

Portanto, nos EUA temos um spread em torno de 8% (acima do ERP histórico de 6%) enquanto aqui temos um spread de 6% (lembrem-se que desde 1994 o ERP é negativo, no valor de -1,55%). Ou seja, mesmo sendo conservador nos resultados, temos uma atratividade bem maior para se investir em ações nos EUA do que aqui no Brasil. Talvez por este motivo temos menos do que 2% da população investindo em ações e lá, mais de 50%.

Conclusão

Não devemos medir o Equity Risk Premium do Brasil com a régua americana.

Ou seja, olhar para os estudos históricos feitos por excelentes e renomados estudiosos sobre o tema nos EUA tem pouca influência sobre o que podemos esperar desta relação entre Ações e Renda-Fixa no nosso mercado. A elevada taxa de juros em nosso país não deve ser desprezada na hora de se avaliar quais ativos devemos investir visando o longo prazo.

Questionamentos. Será que realmente não compensa diversificar um pouco sua carteira de investimentos? A Renda-Fixa no Brasil paga ótimas taxas com um risco muito pequeno. Os Fundos Imobiliários pagam aluguéis mensais isentos de IR com ótimo yield, na maioria das vezes superior às taxas encontradas nos títulos públicos.

Uma lição de Warren Buffett. Até mesmo no livro The Intelligent Investor, Benjamin Graham, grande mentor de Warren Buffett, recomenda investir no máximo 75% em ações e o restante (25%) em Renda-Fixa. Diversificação é importante para que possamos nos abster de ter a certeza de que o mercado de ações terá o maior retorno nos próximos 10, 15 e 20 anos. Além disso, diversificar é poder dormir tranquilo à noite, mesmo observando a bolsa despencando -60% em apenas 5 meses (crise de 2008).

Equacionar a relação entre retorno e risco para cada investidor é uma arte difícil de se dominar. Entretanto, ao investirmos em várias classes, aproveitando seus melhores momentos, estamos dando um passo à frente na famosa fronteira eficiente de Markowitz.

Make things as simple as possible, but not simpler – Albert Einstein

Acompanhe o site HC Investimentos em diversas mídias sociais:



Investindo em Fundos de Investimentos Imobiliários (FII): Parte VII

Na parte VI vimos um simples modelo para se estimar o preço teórico dos FII através de uma comparação com o CDI (ou LFT / Selic).

Neste artigo estaremos adotando uma nova referência para efeitos de comparação e viabilidade dos FII em relação aos títulos públicos.

FII_Inputs de Referência

Na tabela acima vemos as taxas mensais brutas e líquidas após IR de 15%. Ambas as taxas são mensais, refletidas a partir das taxas anuais.

A LTN em questão é a mais recentes (por sinal foi disponibilizada hoje) – a LTN 010113 (vencimento em janeiro de 2013). A NTN-BP 15 é o título indexado a inflação sem pagamentos de cupom com vencimento em 2015.

Nesta nova comparação iremos fazer a comparação das taxas oferecidas pelos FII apenas com a NTN-BP 15, devido ao fato desta ser indexada a inflação.

A taxa mensal deste título está hoje em 0,89% (taxa bruta) e 0,76% (taxa líquida), após os 15% de IR.

Da mesma forma que fizemos no artigo passado, iremos determinar um prêmio de risco para investir nos FII, já que os títulos do governo possuem menores riscos. Portanto, para tomarmos maior risco investindo nos FII devemos receber uma maior remuneração. No caso, estabelecemos um prêmio de risco de 110% sobre o valor da taxa mensal líquida da NTN-BP 15, o que nos traz uma meta de 0,83% ao mês.

Esta é a meta que os FII devem atingir para se tornarem investimentos viáveis em comparação com os títulos públicos.

Com estes valores já temos todos os inputs necessários para calcular o preço teórico de cada fundo e seu upside em relação ao preço atual.

(mais…)

Investindo em Fundos de Investimentos Imobiliários (FII): Parte VI

Vimos na parte V que a análise a partir do histórico das distribuições mensais dos aluguéis nos ajuda a selecionar alguns bons fundos de acordo com nosso perfil de investimento. Ressaltamos a importância de se conseguir um bom yield anual para termos um bom fluxo de caixa.

Neste artigo (parte VI) iremos tratar dos métodos de precificação dos FII. Estes métodos são nada mais do que uma boa estimativa de acordo com algumas premissas básicas da relação entre retorno e risco dos diversos investimentos.

O investidor que busca alocar em FII está visando uma maior diversificação de sua carteira além de obter um ganho maior com estes do que em aplicações em títulos públicos ou Fundos DI / Renda Fixa.

É importante ressaltar que em todos os métodos de análise teremos uma análise voltada apenas para o dividend yield dos FII, não considerando possíveis ganhos de capital. Tentaremos manter o modelo o mais simples possível.

Caso queira utilizar métodos menos conservadores (e mais complexos) basta apenas alterar os inputs (dados de entrada) da análise:

(a) Prêmio de Risco em relação ao CDI e Títulos Públicos;

(b) Incluir uma taxa de valorização histórica das cotas dos FII (nos EUA esse número foi de 4,5% a.a. Este número também irá depender muito do prazo em que se pretende levar o investimento. Quanto maior o prazo, maior a probabilidade de se igualar a este número histórico).

Vamos então a um dos formatos do modelo que utilizo para precificação:

(mais…)

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